Onde está a Evidência na avaliação das psicoterapias?

Num momento em que as psicoterapias “manualizadas” ganham consensos um pouco por toda a parte, Shedler desconstrói muitos desses consensos, pondo-os em causa e até refutando-os, usando de fontes científicas e decisórias de primeira importância (por exemplo APA, 2013, que sobressai entre todos eles).

O autor questiona a eficácia das Psicoterapias Cognitivo Comportamentais socorrendo-se de grandes estudos: um do National Institute of Menthal Health que monitorizou durante vinte e cinco anos psicoterapias desta classe sendo que Elkin, a seu propósito, defende não existir efetividade neste género de terapias.  Socorre-se de seguida de um estudo de Driessen et al (2013) em que se chega à conclusão que apenas 22,7% dos utentes alcançaram o estado de remissão relativamente aos seus estados depressivos.

Outra questão importante tem que ver com a forma como as amostras destes estudos em que buscam evidência empírica. De acordo com o autor, muitos das pessoas que pedem ajuda por terem mais do que um diagnóstico acabam por ser excluídas dos estudos. Shedler chama a atenção que são estes pacientes que acabam por constituir a realidade da maior parte da atividade clínica.

O texto continua, dentro de uma linha crítica, a pôr em causa os critérios de amostragem e as formas de psicoterapia que constituem os grupos de controle em muitos desses estudos.

Em suma, o texto merece uma leitura atenta que, até de um ponto de vista epistemológico, lança novas perspetivas sobre alguns dos consensos alcançados em parte da literatura científica.

Termino com o que pressupõe para Sheldon, o conceito de «baseado em evidência». O conceito vem da medicina e pressupõe três grandes vetores:

1 – relevância das provas científicas;

2- valores e preferências dos pacientes;

3 – finalmente, escolha e julgamento clínico do profissional (em vez de o remeter para uma mera posição de técnico).

Para Sheldon, mais uma vez, muitos dos artigos que defendem a superioridade das psicoterapias estatisticamente suportadas, reduzem a sua base em evidência apenas ao ponto 1, sendo que para o autor o serem estatisticamente suportadas não quer dizer que sejam as mais eficazes.

*

Shedler, Jonathan. “Where is the Evidence for “Evidence-Based” Therapy?.” The Journal of Psychological Therapies in Primary Care 4.1 (2015): 47-59. (ler aqui)

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