Muito do nosso quotidiano é estruturado em torno de trocas rituais. O que fazemos quase sem pensar e o que esperamos, automaticamente que o outro faça. Englobamos aqui, por exemplo, os mais banais «Bom dia» e o «está tudo bem?» – pergunta retórica para a qual não esperamos, a maior parte das vezes, resposta.
Assim, também muitas vezes no encontro entre um paciente e um profissional de saúde existe uma pré-narrativa que estrutura a consulta. Esquematizando: numa consulta médica o esperado pode ser a prescrição; numa consulta de enfermagem pode-se esperar o tratamento ou a partilha de alguma informação de saúde. Também para a nutrição poderei receber uma dieta ou uma série de diretrizes sobre o meu comportamento familiar ou ainda no serviço social sobre que apoios estarão disponíveis.
As trocas esperadas, para cada um destes profissionais, têm um percurso em si e um momento que o coisifica: a receita; a vacina efetuada; a dieta alimentar recebida etc… Esta ritualização da troca tem associado um tempo próprio, um tempo que é bem mais para além do tempo cronológico, um tempo que associa uma sensação de fim, ou de término, ao sucesso da troca efetuada.
*
Leia todo o artigo aqui