Deificação na família imperial romana (off topic)

Porém, numa importante vertente, o papel criado para Octávia no seu casamento com António representou um rutura com o passado, pouco depois do matrimónio, António mandou cunhar uma série de moedas de ouro, prata e bronze de casas da moeda que operavam em várias cidades orientais sob o seu domínio, retratando-a com a sua nova noiva (48).

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A celebração do seu papel como pacificadora levou a que figurasse uma mais na moeda do marido, desta vez com as efígies de António e Octaviano combinadas como se se tratasse de gémeos siameses de frente para o perfil dela; o reverso mostrava uma imagem de três galeras com velas enfunadas. (61)

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Os seus novos direitos vinham a triplicar. Em primeiro lugar, era-lhes concedida uma proteção conhecida como sacrosanctitas, constituindo crime pronunciar insultos contra elas. Em segundo, gozavam de imunidade de tutela (tutória masculina), o que significava na prática que dispunham da liberdade de gerir os seus próprios negócios. Em terceiro, foram encomendadas estátuas a representá-las para exposição pública. (66)

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A par de estátuas de bronze dos grande e dos bons, havia um magnífico templo dedicado a Marte, o Vingador, que acolhia uma trindade de divindades consideradas deuses patronos pela família juliana: Marte, Vénus Genetrix e Divo Júlio. O último representava o Júlio César divinizado eu fora consagrado como deus em 42 a.C., permitindo assim convenientemente que o seu sobrinho-neto se chamasse a si mesmo «filho de um deus». (122)

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Durante cinco dias, enquanto o corpo de augusto ardia numa pira no campo de Marte, Lívia no saiu de junto dele, prolongando uma silenciosa vigília de luto muito depois de os senadores e suas mulheres que compareceram na cerimónia fúnebre já terem regressado a casa. (128)

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A moção menos polémica, que foi devidamente aprovada determinava que Lívia fosse nomeada sacerdotisa do culto do seu marido – Augusto fora postumamente consagrado como deus a 17 de Setembro, o que lhe possibilitava ser adorado como «Divino Augusto». (136)

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Livila tornou-se subsequentemente a primeira mulher da história imperial a sofrer a indignidade daquilo que veio a ser conhecido como damnatio memoriae, uma ordem para destruir todas as estátuas que a representassem em todo o império, fazendo desaparecer o seu nome e a sua face da memória pública. (173)

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Um filho nascido ao casal antes de Domiciano se ter tornado imperador morreu na infância e foi deificado postumamente, um gesto acompanhado pela emissão de moedas honrando Domícia como Mater Divi Caeseris – «Mãe do Divino César». (248 249)

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Plotina foi a primeira mulher a ser associada à inscrição castidade nas suas moedas e nem Vesta nem Minerva, ambas deusas virgens, haviam antes sido relacionadas com mulheres imperiais. (272)

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As mulheres dos Césares, Annelise Freisenbruch

Lisboa, Texto Editores, 2013

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