Os treinadores e as mágicas palavras dos intervalos

Logotipo do jornal O Primeiro de JaneiroDiversos jornais desportivos realçam a força das mensagens dos treinadores no intervalo dos jogos. Certas equipas, que evidenciavam cansaço no primeiro tempo, agradecem aos céus a chegada do descanso intercalar, recolhem aos balneários e é aí que, entusiasmadas por mensagens milagrosas, surgem retemperadas, muitas vezes para dar a volta ao texto e vencerem as respectivas partidas.

Também os mass media se deixaram fascinar pelo poder da palavra. O movimento não se detecta apenas nas entrevistas a figuras proeminentes: cada vez mais se indaga o transeunte anónimo. Novamente o futebol: nos momentos anteriores aos grandes jogos, não é comum solicitar vaticínios a crianças ou ao mais comum dos adeptos? Após as partidas, pedem-se comentários aos resultados e ao trabalho dos árbitros.

Criam-se notícias onde elas não existem.

Em todo o caso, a curiosidade de saber o que o outro pensa, o modo como se expressa, são quase invariantes nas nossas sociedades. Também o dizer de nós, o desabafar, tornou-se objecto de várias ciências, entre as quais a psicologia. Estamos aqui, perante o potencial poder curativo da palavra. É através das palavras que podemos dar força aos outros, como o caso dos treinadores, ou dar força a nós mesmos, se nos dispusermos a uma qualquer psicoterapia.

Concordamos que sejam necessários momentos de reflexão. O pensar sobre os actos dos outros ou os nossos próprios nunca fez mal a ninguém. No entanto, estamos em crer que por vezes exageramos nessa reflexão. É que existe a acção, o movimento e o que eles nos podem ensinar. Voltando ao caso da equipa de futebol: a mudança de comportamento pode não só advir do que o treinador disse, mas também das coisas terem começado a correr bem. A acção bem sucedida galvaniza e pode ter alcandorado o grupo à vitória…

A causalidade dos comportamentos humanos é sempre multifactorial e complexa. O verbo somou-se à dinâmica do jogo e a um certo elemento aleatório. É que, no fim de contas, tudo depende do que nós quisermos acreditar… Se pensarmos bem, no lado oposto ao da equipa vencedora, também existiu uma outra mensagem, um outro alento que não deu resultado e desaguou na derrota.

Ou estamos perante um caso de bruxaria, em que um treinador descobriu a mezinha específica para aquele momento e o outro não foi tão diligente?

O Primeiro de Janeiro

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