A necessidade de uma educação para uma utilização segura da internet

abstraçõesNos últimos anos tem-se incentivado a utilização da internet como ferramenta educativa. Pretende-se familiarizar os mais novos com os meios informáticos, não apenas na vertente lúdica mas sobretudo como contexto de aprendizagem e de pesquisa. Numerosos suportes informáticos se comercializam en CD cruzando diversos saberes: a aprendizagem do português, da matemática mas também a parte dos comportamentos saudáveis e da educação para a saúde tida no seu todo. As coisas não podem passar-se de outro modo: a internet está aí, não vai ser “desinventada” e há que fazer com os que os mais novos possam entrar em contacto com estes meios e desenvolver uma atitude activa.

Por outro lado, os comportamentos perigosos têm vindo já a ter algum eco nos õrgãos de comunicação. Comportamentos condenáveis e criminosos são replicados também nestes meios como a pedofilia ou a tentativa de roubo (via aquisição do número de cartão de crédito). Outros crimes têm que ver com a natureza específica do meio internáutico como o pishing (usurpação de identidade bancária), a usurpação de identidades e mesmo a violência continua contra pessoas de uma determinda rede de contactos sociais o chamado cyberbullying – violência que se pode reduzir à vertente escrita ou então englobar a divulgação de fotografias ou de vídeos que de algum modo comprometam as pessoas.

Aqui surge principalmente a questão do predador que, através de fingir ser quem não é, acaba por saber bastantes factos da pessoa com quem tecla o que depois faz com que possa surgir na vida real da sua vítima para de alguma forma a prejudicar: através de roubo, rapto, violação entre outros exemplos que vamos lendo a cada passo. São no entanto casos extremos que muitas vezes não dizem nada às crianças e jovens que desenvolvem outro género de vivências na sua navegação na net e acabam por desenvolver um sentimento de segurança que nem sempre terá a sua razão de ser.

A sexualidade e as práticas sexuais mais ou menos desviantes podem também ressurgir nestes meios ou reinventar-se. Assim, certas plataformas podem servir de meio para trocar contactos para um sexfone (prática sexual via telemóvel) ou a prática de sexo virtual em frente de uma webcam para desconhecidos voluntária ou a troco de alguma forma de pagamento e voltamos aqui à questão das práticas de prostituição. A mais velha profissão do mundo acaba por ressurgir também no mundo virtual.

Afastando-nos um pouco destes exemplos mais extremistas, o trabalho é também considerável em termos de educação e de cuidados que as famílias devem ter em relação a estes meios. O trabalho de educação e de partilha, nomeadamente através de grupos de pais, é uma premência. Trata-se de debater e estudas melhores formas de lidar com certo género de situações: aceitar até onde a autonomia dos mais novos face à internet? Como debater com os nossos filhos a questão da amizade e de como ela deve ser gerida em certas redes sociais? Como lidar com a privacidade? Pôr fotografias na internet, sim ou não? E que tipo de fotografias? Que género de perigos são mais associados a cada tipo de sites que os mais novos frequentam?

É claro que existem factores de protecção no próprio ambiente familiar que devem ser levados em linha de conta. Em que local situar o computador ligado à internet? Quantos computadores devem estar ligados simultaneamente? Quanto tempo diário de navegação deve ser permitido? Que formas de acompanhamento serão as mais indicadas?

Outro género de factores de protecção têm que ver com opções de navegação existentes nos próprios equipamentos. Focamos aqui o tema do controle parental. O controle parental permite a navegação com um certo número de restrições, ou seja certo género de sites permanece inalcançável quando estas opções são activadas. Os limites podem desempenhar um papel protector mas não devem substituir-se totalmente à questão da autonomia.

Lidamos aqui com fronteiras movediças e instáveis. Ao mesmo tempo que muitos dos assuntos devem ser abordados a propósito da internet são os que sempre se puseram aos educadores ao longo dos tempos, os suportes são outros e mesmo alguns comportamentos são totalmente novos. Daí a importância que a educação para uma utilização segura da internet está a adquirir ao longo dos últimos tempos. Uma educação que não é apenas de um suposto formador para uma audiência passiva mas um percurso de partilha de experiências e de actualização conjunta face ao mundo virtual, meio que está em constante e rápida mutação.

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